Overqualified for a job (Superqualificado para um trabalho)
| créditos da imagem: The Wall Street Journal |
Diferentemente
do que o título do artigo possa sugerir, ser super qualificado para um trabalho
não é ser necessariamente o candidato ideal para uma determinada vaga de
emprego, na realidade tem mais a ver com estar muito acima da média para aquele
trabalho do que ser a peça que faltava para a empresa. No Brasil já possível
constatar esse tipo de ocorrências durante os processos seletivos das
organizações da iniciativa privada e infelizmente o cenário atual tem
evidenciado fortes tendências para o crescimento desse fato.
Com
as inúmeras ofertas de cursos de graduação, pós, mestrado e doutorado o número
de pessoas superqualificadas cresceu muito desde a década de 80 se se expande a
cada ano, tornando pessoas potenciais rejeitados em processos de recrutamento e
seleção, o mais impressionante é que essas mesmas pessoas acabam por acreditar
que não estão qualificadas o suficiente e partem para buscar ainda mais cursos
e títulos, o que só agrava a ferida. A atrocidade maior também parte das
organizações e coaches de plano de carreira que incitam e motivam as pessoas a
estarem em constante processo de qualificações, denominando essa prática de
“aprimoramento profissional”, e que se sabe que não funciona.
Você
sabe identificar um profissional super qualificado ou se você está nessa
condição? Se não, aqui vão alguns sinais que representam essa categoria:
·
O candidato recebia um salário bem
maior no emprego anterior do que o anunciado na vaga atual;
·
Colegas do novo colaborador se sentem
bastante ameaçados por sua experiência;
·
Tarefas designadas a este recém
contratado parecem ser simples demais;
·
O cargo é visto por esse profissional
como apenas uma ocupação provisória enquanto não lhe aparece algo melhor;
·
Profissional se opões às ordens dos
gestores e líderes e sugeres métodos melhores de ação.
Não
lhe parece controverso constatar que profissionais com muitas experiências,
expertises e formações não são ideais para serem contratados e assumirem um
cargo? Bom, é com certeza controverso e uma desventura para esses profissionais
que tem um nível de senioridade consolidado e alto, o que se espera é que um
candidato tão bem qualificado se encaixasse perfeitamente à vaga e que suas
qualificações servissem para agregar ainda mais valor na empresa, teria um
índice de erros muito baixo e seria mais produtivo, no entanto é exatamente o
oposto que ocorre, não só no Brasil, mas no mundo a fora. Os recrutadores
tendem a racionalizar que um individuo tão bem qualificado se desmotivaria
facilmente com salários mais baixos, principalmente em nosso país, que bem
sabemos que tem tendência a pagar sempre os menores salários possíveis, os
recrutadores também chegam a determinar que uma pessoa como a que estamos
discutindo no artigo, se desmotivaria também com as atribuições do cargo
ofertado, falta de desafios entre outras coisas, tornando-se assim um potencial
colaborador que contribuiria para os índices de rotatividade.
Uma
outra tendência nos processos seletivos, quando um recrutador se depara com alguém
qualificado para além da média, é pensar que aquele candidato não está buscando
uma oportunidade a longo prazo, o que certamente o que também contribui para ocorrências
de turnover. De certo modo as empresas não chegam a imaginar em como isso afeta
elas mesmas, geram uma série de ambiguidades decorrentes do pensamento de que
um funcionário deve permanecer por muitos e muitos anos apenas em uma organização,
mas o problema afeta mesmo é o pobre do trabalhador que possui mais de 10 (dez)
anos em uma empresa X e quando vai buscar recolocação no mercado vira alvo de
discriminação, sendo considerado um trabalhador de apenas uma cultura organizacional
e chegam até a dizer que “o cargo é pequeno demais para a pessoa”.
A
matriz de todos esses problemas está muito arraigada na sociedade como um todo,
no que tange minhas experiências com pesquisa sobre esse cenário, é interessante
pesar que as organizações não implantam um RH estruturado, geralmente realoca
colaboradores de outros setores para assumirem funções sem o devido
treinamento, deixando extrapolar uma cascata abundante de irregularidades
trabalhistas.
Em
um contexto geral, existe alguma maneira de se contornar essa situação? Sim,
existe! Considerando você um provável candidato, o ideal seria estudar e conhecer
bem a empresa e o cargo ao qual se candidatou, saber redigir um currículo adequado
com apenas os requisitos e qualificações necessárias e compatíveis com o cargo,
sem mencionar os excessos, além disso precisa se destacar na entrevista com o
recrutador, pode fazer isso com paixão e persuasão, demonstrando seus objetivos
a longo prazo para aquele cargo além de alguns outros fatores. Já para os
recrutadores, o ideal seria conduzir os processos de recrutamento e seleção da
forma mais clara e objetiva possível, para poder aproveitar melhor o talento
dessas pessoas, criar um ambiente onde o clima organizacional seja bom e saudável,
onde líderes e gestores consigam criar meios de estimular esse profissional,
isso poderá acarretar em altos índices de produtividade, baixo registro de
erros, soluções inovadoras para os mais diversos problemas, destaque para a
marca empregadora em planejamentos de Employer Branding e a criação de um novo
líder.
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